de grão em grão | 21 de fevereiro de 2025
Avoada completa dez edições e nós estamos em festa! Desde o início me coloquei uma meta particular: chegar pelo menos ao décimo número. Não deixar o atropelo da vida tomar conta por completo. Aos trancos e barrancos, cá estamos.
Com esse marco vem a necessidade de monetizar Avoada. Afinal de contas, é trabalho e os boletos não estão para brincadeira. Tenho estudado caminhos & possibilidades – a ideia é que os mecanismos estejam operantes já no próximo mês. A ver.
(Bom lembrar: não cogito fechar a leitura para assinantes.)
Por ora, se você vê valor nesta newsletter e quer me ajudar a mantê-la viva, você pode curtir esta edição – é só clicar no coração ali no cabeçalho – e compartilhá-la com alguém. Avoada é igual coração de mãe. Sempre cabe mais um.
Boa leitura!
Mariana
*E um lembrete: Avoada é uma newsletter longa. Talvez seu provedor de e-mail corte o conteúdo no meio. Mas nosso fim é no fim!
a morte e a morte de uma mulher
livro destrincha os erros e acertos da imprensa brasileira ao noticiar casos de feminicídio
O título é incomumente longo: Histórias de morte matada contadas feito morte morrida. Mas quando a gente presta atenção, percebe que as autoras Niara de Oliveira e Vanessa Rodrigues foram muito felizes na escolha. Porque ele diz tudo sobre o conteúdo do livro.
Em novembro de 2015, as jornalistas Niara e Vanessa fizeram parte do grupo que fundou a comunidade virtual Não foi ciúme, voltada a analisar notícias produzidas pela imprensa brasileira sobre feminicídio. “Tínhamos a inquietante sensação de que a agressão contra aquela mulher continuava na maneira como seu caso era apresentado pela mídia, principalmente nos títulos das reportagens”, escrevem elas.
Após anos dedicada à tarefa de monitorar e examinar a cobertura midiática sobre violência de gênero – “Quase adoecemos” –, a dupla decidiu dar ao conteúdo a forma de livro. A primeira edição saiu pela Drops Editora em 2021, abarcando ocorrências desde 1980 em todo o país. Em 2024 chegou uma segunda edição ampliada, com atualizações sobre casos, estatísticas, mudanças de legislação e políticas públicas.
Não vou dizer que a leitura é agradável, porque não é. Não teria como ser, dado o tema. Mas é muito reveladora, inclusive da forma como naturalizamos os discursos. Confesso: em vários momentos não entendi logo de cara qual era a objeção das autoras a essa ou aquela matéria. Só depois de ler as explicações é que fichas caíram.
São vários os vícios da imprensa identificados por Niara e Vanessa. Resumo aqui os principais – para os meandros, melhor ler a obra toda.
Antes, talvez caiba situar do que é que estamos falando. Segundo dados citados por elas, o Brasil é o 5º país que mais mata mulheres no mundo. A cada seis horas um feminicídio é registrado em território nacional. E quase 90% dos crimes são cometidos por homens com algum vínculo afetivo em relação à vítima. Não é brincadeira, não.
Um crime sem autor
Pode parecer frescura, mas não é. Entre a voz passiva “Maria é morta por João” e a voz ativa “João mata Maria” há um abismo. Para explicar por que isso não é mera tecnicalidade, com impacto na percepção do público sobre o ocorrido, as autoras citam (e eu roubo) um trecho de Gramática da manipulação, de Letícia Sallorenzo:
Dona Pragmática ainda explica: na frase “Maria foi estuprada por João”, fala-se de Maria. João desapareceu da frase. Como você pode perceber, não é só ordem inversa, não. Tem muito mais coisa envolvida no rearranjo pragmático. E é para isso que serve a voz passiva: para ocultar o agente da frase. Para ocultar responsabilidades.
Sem contar os vários e inacreditáveis casos em que o autor do crime sequer é mencionado na matéria. Escreve a jornalista Cecília Olliveira na apresentação do livro: “o julgamento das vítimas continua nas entrelinhas, nas fotos, nas manchetes. O agressor, por vezes, não tem nome, não tem profissão, não tem rosto, e até seus negócios são preservados”. Por quê?
Suposta morte, suposto jornalismo
Niara e Vanessa diagnosticam um uso abusivo do adjetivo “suposto” nas notícias sobre feminicídio. Pode haver flagrante, pode haver confissão, não importa: lá está o título da matéria colocando em dúvida até a própria ocorrência do crime.
Como as autoras apontam, é factível pensar que isso nasce de uma preocupação em evitar traumas éticos como o da Escola Base, fugir de processos judiciais e respeitar a presunção de inocência do acusado. Muito justo. Mas entra aqui uma das coisas mais legais no livro: os momentos em que elas oferecem sugestões de reformulação, deixando evidente que tudo se trata de uma escolha editorial.
Assim, o que foi publicado por um jornal em 2015 como “Polícia investiga suposto caso de estupro na UFRJ” poderia muito bem ter sido “Polícia investiga denúncia de estupro na UFRJ”. Conforme elas resumem, “é possível garantir os direitos do acusado sem colocar a palavra da vítima em dúvida!”.
A eterna busca por um motivo
Ciúme, dificuldade de aceitar o fim do relacionamento, suspeita de traição. De acordo com as autoras, ao dar espaço para as pretensas motivações do crime, é como se a imprensa contribuísse para a ideia de que, em alguma medida, aquela mulher teve responsabilidade na sua morte.
Recorro a outra reformulação proposta por Niara e Vanessa. Em vez de “Jovem não deixa marido ver mensagens no celular dela e é morta estrangulada”, como escreveu um portal em 2024, o título poderia ter sido mais responsável ao chamar as coisas pelo nome e informar: “Homem mata esposa que não permitiu invasão de privacidade”.
Vale mais que mil palavras
Segundo o livro, em regra os veículos usam fotos da mulher, não do autor do crime, para ilustrar as notícias. Costumam ser imagens retiradas de perfis em redes sociais – descontextualizadas, portanto, de seu intuito original –, não raro em roupas e poses consideradas sensuais. Pouco se reflete até que ponto a foto escolhida expõe a vítima.
Está lá um corpo estendido no chão
Até porque com frequência é só disso que a gente é informado: foto, nome, idade, profissão e olhe lá. Quais eram os sonhos dessa mulher? Seus talentos e desejos? Quem eram seus amigos? Sua família? Para Niara e Vanessa, são poucas as matérias que apresentam a vítima em sua humanidade.
Sem contar os corpos que sequer viram manchete. Se pesquisas identificam as mulheres negras, jovens, periféricas e com baixa escolaridade como sendo as vítimas mais frequentes da violência de gênero no Brasil, justamente a esses casos os veículos dão menos espaço. “Quanto mais vulnerável é a vítima”, escrevem as autoras, “menos respeito a seus direitos e à sua história, e isso se reflete na cobertura da imprensa”.
Mas nem só de erro vive a imprensa brasileira. Listo abaixo três materiais citados no livro como boas referências:
Manual Universa para jornalistas: boas práticas na cobertura da violência contra a mulher, de Universa/ UOL (2020);
“A história de Adriana, a cara do feminicídio no Brasil”, matéria da jornalista Luiza Sansão para a revista piauí (2021);
Protocolo antifeminicídio: guia de boas práticas para a cobertura jornalística, da Associação Bahiana de Imprensa (2024).
Nas minhas próprias pesquisas, cheguei a este dossiê da Agência Patrícia Galvão.
Por fim, tive a oportunidade de entrevistar Niara e Vanessa por e-mail, a seguir em versão editada. Agradeço a elas e a Suzi Castelani, da Drops Editora, pela gentileza de me enviar uma cópia do livro. Clique aqui para comprar seu exemplar.
Como vocês explicariam por que a linguagem importa a uma pessoa que talvez não enxergue diferença entre usar voz passiva ou ativa, por exemplo?
Niara de Oliveira: Quando se diz “Mulher é encontrada morta”, na voz passiva, essa mulher pode ter morrido de ataque cardíaco, acidente ou até mesmo suicídio. É absolutamente insuficiente, se é de um assassinato que se está falando. Mesmo que a escolha seja pela voz passiva porque o assassino não foi confirmado ou ainda não há suspeitos, é possível dizer de modo mais assertivo, como “Mulher é assassinada a tiros no local X”. Há inúmeras outras formas de narrar.
Vanessa Rodrigues: Acreditamos que a imprensa muitas vezes reproduz o machismo e a misoginia estruturais, colocando a culpa nas mulheres que foram vítimas de feminicídio. Isso acontece na forma como as notícias são escritas e nas imagens escolhidas. Muitas reportagens tratam o feminicídio como um crime passional, o que não apenas minimiza a gravidade da situação, como incorre em uma inverdade. Feminicídio é crime de ódio, não de amor.
Quando a imprensa usa a voz passiva, como em títulos que dizem “Mulher é encontrada morta”, acaba obscurecendo quem realmente cometeu o crime. Falar sobre o feminicídio dessa forma não ajuda na busca pela verdade e pelos direitos humanos, que são fundamentais no trabalho jornalístico. É importante que a imprensa assuma a responsabilidade de informar corretamente e respeitar a memória das vítimas.
Considerando que mesmo veículos com bons manuais de redação no assunto cometem reiterados deslizes, quais os principais obstáculos que vocês identificam para que as redações façam escolhas melhores ao cobrir o tema?
Niara: Acho que tem um “p” de preguiça de pensar a respeito, de questionar: como narrar um feminicídio? Estamos usando as mesmas orientações de quando é um assassinato cometido por uma mulher? Todo mundo repete uma fórmula – voz passiva, uso abusivo de “suposto” etc. – que corresponsabiliza a vítima.
Vanessa: Mesmo em veículos com bons manuais de redação, os principais obstáculos incluem a persistência da misoginia e do machismo estruturais dentro das redações. Esse fator pode influenciar as decisões editoriais e a escolha da linguagem utilizada, perpetuando estereótipos prejudiciais e narrativas que culpabilizam as vítimas.
Além disso, a precarização da profissão tem um papel significativo. A pressão por resultados rápidos e a cobertura de múltiplas pautas muitas vezes deixam os jornalistas sem tempo para se aprofundarem em temas complexos como esse. Isso pode levar a uma falta de rigor na edição e uma superficialidade na abordagem das questões de gênero.
A cultura do sensacionalismo, impulsionada pelo desejo de atrair audiência com headlines impactantes, resulta em coberturas que desconsideram a gravidade do feminicídio, tratando-o como um evento isolado em vez de uma questão social estruturante. Isso se alia ao comodismo de apelar para um “estilo” de escrita já sedimentado. Fica “mais fácil” seguir a receita de bolo, mesmo que essa receita possa ferir preceitos aprendidos na formação básica do profissional.
Qual a opinião de vocês a respeito da inclusão de detalhes gráficos nas notícias sobre feminicídio, como o número de facadas e a descrição da mutilação de órgãos?
Vanessa: A inclusão de detalhes gráficos nas reportagens deve ser feita com extrema cautela. Apesar de esses detalhes servirem para ilustrar a intensidade da perversidade do crime, muitas vezes acabam por alimentar um desejo mórbido de consumo de informação sobre violência contra a mulher, em vez de realmente sensibilizar o leitor. Esses relatos podem facilmente se transformar em sensacionalismo, desumanizando as vítimas e reduzindo suas vidas a meros números, em vez de focar a gravidade do crime e o impacto social.
O papel da imprensa deve ser não apenas informar, mas também promover a conscientização e a sensibilização sobre a violência de gênero, o que exige um compromisso com a dignidade das vítimas e suas famílias. Em vez de enfatizar a brutalidade, a cobertura poderia incluir dados sobre a prevalência do feminicídio, destacar recursos de apoio e iniciativas de prevenção. Assim, conseguimos não apenas criar um relato responsável, mas também contribuir para uma mudança de narrativa em torno da violência contra a mulher na sociedade.
Niara: É preciso cuidado, sim, porque a sociedade já fetichiza a violência contra a mulher. Hoje, em matérias na tevê, por exemplo, as imagens de uma mulher sendo agredida ficam sendo repetidas enquanto dura o “off” [a narração] da matéria. É reprovável, antiético e deveria ser abolido.
Já os detalhes gráficos, no caso dos feminicídios, cumprem outra função além de descrever o crime com precisão, que é servir para o monitoramento e a datificação. Dia desses, comentei com uma repórter sobre o fato de os feminicídios serem os crimes mais violentos e a crueldade com que eles são cometidos estar se agravando. Ela me perguntou como eu sabia disso. Como comprovar e registrar essas informações, senão com os detalhes gráficos?
Não precisa ser o roteiro de um filme de terror, mas informações como o número de facadas e se o crime foi cometido na frente de filhos ou pais (agravantes na hora do julgamento) são importantes, porque as secretarias de Segurança Pública dos estados não divulgam. Quem faz isso é a imprensa. E precisamos observar a subnotificação e a desclassificação sem critérios conhecidos, que estão distorcendo índices e dificultando políticas públicas eficazes de enfrentamento ao feminicídio.
Para fechar, qual é o sonho de vocês para a imprensa brasileira?
Niara: O meu sonho é que Histórias de morte matada contadas feito morte morrida se torne obsoleto, vire peça de museu, como registro de uma época passada e superada.
Vanessa: Meu sonho para a imprensa brasileira é que ela se torne um pilar de verdade, responsabilidade e inclusão. Gostaria de uma mídia que priorizasse a ética na cobertura, especialmente em temas sensíveis como feminicídio e violência de gênero, abordando essas questões com profundidade e empatia.
Além disso, espero ver mais jornalistas capacitados e sensibilizados, que não apenas reportem os fatos, mas que ajudem a educar o público, promovendo a conscientização sobre temas pertinentes e urgentes. Um futuro no qual a imprensa seja vista como aliada na luta por justiça, igualdade e respeito em um país que valoriza a vida e as histórias de todas as suas pessoas.
*Transparência ao leitor: ganhei da Drops Editora um exemplar do livro citado, mas a produção deste conteúdo não foi remunerada nem passou pela aprovação das autoras.
fundamento | nick drake
A descoberta veio do lugar mais improvável: Da magia à sedução, filme de 1998 sobre duas irmãs que são bruxas, interpretadas por Sandra Bullock e Nicole Kidman. A trilha sonora é espetacular. Joni Mitchell. Stevie Nicks. Marvin Gaye. Nick Drake.
E não é qualquer Nick Drake. É “Black Eyed Dog”.
Hoje envolto em aura cult, Drake é uma figura sobre a qual pouco se afirma e muito se especula. Artista de vida breve, o inglês morreu aos 26 anos, em 1974, por overdose de antidepressivos. Alguns falam em acidente, outros falam em suicídio.
Ficaram para a história três discos lançados – Five Leaves Left (1969), Bryter Layter (1970) e Pink Moon (1972) –, além de algumas músicas mais tarde reunidas em coleções. Não há filmagens. Ele pouco fez shows, menos ainda deu entrevistas.
O que se tem, portanto, são as canções e os relatos de quem conviveu com ele. Daí fãs tiram matéria-prima para uma busca incansável por desvendar esse enigma chamado Nick Drake. A coisa chega a ponto de diagnósticos de esquizofrenia serem atribuídos com base na análise dessa ou daquela letra escrita pelo homem. Calma, gente.
Dos fatos concretos, afirmo sem medo que se trata de um artista fora de série. Aprendi no livro Nick Drake: The Pink Moon Files, organizado por Jason Creed, em 2011, que o segredo está na forma esquisita como ele afinava o violão. E embora sua obra exale uma determinada Inglaterra, há quem veja a influência de João Gilberto.
Enfim. Nesse livro tem uma frase da irmã de Nick, Gabrielle, que eu gosto muito:
The point is that Nick will always remain an enigma because there is no great mystery to be solved. What is there is in his songs, and will remain there.
Pois bem. Vem comigo e aperta play em Five Leaves Left, você não vai se arrepender. Nas palavras do produtor Joe Boyd, “once you make a convert, it’s a convert for life”.
Os discos estão disponíveis no canal do artista no YouTube. Se quiser mais informações, o site oficial é este.
falando em bossa nova…
Em 1963, um senhor chamado Aloysio de Oliveira fundou a gravadora Elenco, fundamental para consolidar o movimento musical ao gravar artistas como Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Nara Leão, Lennie Dale (olha os Dzi aí!).
Mas o ponto aqui não é a música. São as capas dos discos lançados pela casa.
Obra de Cesar Villela, o projeto visual da Elenco fez história no design brasileiro. Com fundo sempre branco, quatro círculos vermelhos e retratos dos artistas em alto-contraste – feitos pelo fotógrafo Francisco Pereira –, a simplificação proposta captava o olhar do cliente em meio à cacofonia visual de uma loja de discos.
Descobri a arte da gravadora quando, anos atrás, apaixonada que sou por Dorival Caymmi, resolvi dar uma olhada na discografia da herdeira, Nana Caymmi. Começando pelo começo, Nana (1967), me deparei com a seguinte capa:
Achei a coisa mais bonita do planeta Terra. A autoria é de Eddie Moyna, um dos profissionais que deram continuidade, com maior ou menor fidelidade, à proposta gráfica de Villela depois da sua mudança para os Estados Unidos, em 1964.
Diversas exposições foram feitas sobre essas capas, como no Instituto Tomie Ohtake, em 2009. A curadoria coube a Marcello Montore, autor desta tese de doutorado. Vale ler para saber mais, inclusive a respeito de Aloysio de Oliveira, uma baita figura.
Também dá para ouvir impressões do próprio Villela antes de sua morte, em 2020. Neste breve clipe de Arte na capa, do Canal Brasil, em 2014, o designer explica a inspiração para o logo da Elenco e a razão mística por trás das bolinhas vermelhas. Já esta entrevista feita em 2011 por Ronaldo Evangelista (do projeto Goma-Laca, veja a coincidência!) aborda seu processo criativo.
Encerro com uma seleção de capas criadas por Villela para a Elenco. A fonte das imagens é este post do blog FreakShowBusiness, mas nos anexos da tese de Montore você encontra uma relação completa – tirei de lá as informações abaixo.









a cara da bossa
Baden Powell, Baden Powell à vontade (1963)
Sylvia Telles, Bossa balanço balada (1963)
Vinicius de Moraes e Odette Lara, Vinicius & Odette Lara (1963)
Vários, Elenco première (1964)
Maysa, Maysa (1964)
Nara Leão, Nara (1964)
Roberto Menescal e conjunto, A bossa nova de Roberto Menescal e seu conjunto (1964)
Sérgio Ricardo, Um sr. talento (1964)
Lennie Dale e trio 3-D, A 3ª dimensão de Lennie Dalle (1967)
espia
Como as mudanças climáticas têm sido sentidas por quem vive literalmente imerso em natureza? Nesta matéria do portal Um Só Planeta, a jornalista Martina Medina ouviu pessoas praticantes de natação em águas abertas. Entre os impactos relatados, alta da temperatura do oceano e aumento das águas-vivas, tudo isso contextualizado por números e especialistas. Saiu em novembro de 2024.
Quando a escritora Fernanda Young faleceu, em 2019, o jornal O Globo publicou a última coluna assinada por ela, intitulada “Bando de cafonas”. Irretocável à época, irretocável hoje. “Porque só o bom gosto pode salvar este país.” (Se no veículo carioca o texto estiver fechado para assinantes, vá por aqui.)
Algoritmos me levaram a este filme da turnê “Mais”, de Marisa Monte, e eu muito recomendo. Puro anos 1990, cheio de momentos ótimos, como ela cantando ópera. E há certa piada interna: parcelas da população acham que nós somos meio sósias. Desde graças feitas por garçons a quem só me chame de “Marisa”, como o queridíssimo Roberto Borges, da editora Ercolano. Não sei. Só sei que foi assim.
Bônus! Danilo Papp, outro queridíssimo, recomendou Metal: A Headbanger’s Journey quando comentei não entender a diferença entre thrash metal, death metal etc. Assisti e assino embaixo na indicação. Feito por gente apaixonada, o filme de 2005 investiga a cena sem fugir a espinhos como religião e masculinidade.
(Aproveito o gancho e deixo o jabá para os meninos do Infamous Glory. Se você é da turma do barulho, prestigie!)
nossos respeitos
À Marina Colasanti, escritora, jornalista e artista plástica falecida no último 28 de janeiro, aos 87 anos.
Sou fã, tanto que em Avoada #9 incluí e exaltei um texto primoroso escrito por ela em 1972 para o Jornal do Brasil (JB).
Marina contou sua incrível história de vida ao Museu da Pessoa, em 2008. Já no site oficial você encontra crônicas e contos recentes, além de biografia, fotos, entrevistas.
E eu jamais deixarei de pregar a palavra da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, repleta de pérolas assinadas por ela. Tipo esta matéria de 1980 no JB, em que Marina e o escritor Affonso Romano de Sant’Anna, seu marido de vida inteira, comentam as respostas de uma entrevista feita entre outro casal ilustre: Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir.
Que a terra lhe seja leve.
Quem também partiu foi o cineasta Cacá Diegues, em 14 de fevereiro, aos 84 anos. A ele voltaremos em Avoada #11. Que descanse em paz.
“wallace’s line”, de paul morstad
2022
O belíssimo trabalho do canadense Paul Morstad é um prato cheio para quem não tem grandes apegos à realidade vivida e às leis da física.
São ilustrações, painéis e até rótulos de vinho, com uma predileção pela aquarela, técnica da obra acima. Por aqui você chega ao site oficial. Já nas redes sociais o artista compartilha a inspiração por trás das peças.
you say that it’s over, baby!
fim.
MUITO SUSPEITO PARA FALAR - VEJAM O CADERNO CULTURAL DO VALOR ECONÔMICO