Avoada #11
devagar, devagarinho | 03 de maio de 2025
Por questões de trabalho, andei conversando com Michelle Prazeres, do Instituto Desacelera. O timing foi curioso. Entre as diversas vertentes do movimento slow – tema de estudo mais amplo da Michelle –, uma das mais conhecidas é justamente o slow fashion, assunto principal desta edição de Avoada.
Tem mais. Pesquisando o trabalho dela, cheguei a um conceito que muito me interessou: jornalismo slow. Ao ler este artigo que Michelle escreveu em 2021, vi que há nome para as minhas inquietações com a profissão e aspirações para Avoada.
Tudo isso para dizer que, cada vez mais, Avoada vem quando vem. Porque as coisas pedem tempo. E não me refiro tanto à periodicidade, mas ao modo como as coisas são feitas. As decisões, as pesquisas, as entrevistas, as parcerias (tem desconto para você nesta newsletter!). Tudo isso exige tempo compatível com as circunstâncias.
Se, como diz Michelle, estamos em um “contexto de aceleração generalizada e velocidade impregnada”, a última coisa que desejo é fazer de Avoada um estresse para mim e um ruído para você. Já basta a vida lá fora, né?
Boa leitura!
Mariana
*E um lembrete: Avoada é uma newsletter longa. Talvez seu provedor de e-mail corte o texto no meio. Mas nosso fim é no fim!
segunda pele
como se vestir bem sem piorar um planeta que já está ruim? os ensinamentos de uma especialista em moda sustentável
Esta pauta é baseada em fatos reais. Estava eu dando uma geral no armário, quando me ocorreram algumas dúvidas. De onde veio essa saia, que eu nem me lembro de ter comprado? Por que, se há opções na gaveta, eu visto sempre as mesmas peças? E o que fazer com as roupas íntimas que já cumpriram seu tempo de uso?
De cara, lembrei dela: Monayna Pinheiro. Conheci em outros carnavais, na mesa do bar. E sabia que os mais de 20 anos de experiência que ela acumula na moda, em especial na moda sustentável, garantiriam uma aula. Dito e feito.
Aos 45 anos, Monayna ocupou vários lados do balcão nessa indústria. Formada em Moda pela Faculdade Santa Marcelina (FASM), em São Paulo, ainda jovem se aliou a uma colega para abrir a marca de roupas Apego. Trabalharam no atacado, no varejo, tiveram loja própria. Ao longo da carreira, ela também desenvolveu produtos para empresas como a AVB, do grupo Cavalera, e a Bureaux Paulista.
Outra expertise sua é como professora, seja em cursos técnicos e livres, seja em universidades de renome: FAAP, Senac, a própria FASM. Atualmente, junto com Ana Scalea e Julia Codogno, Monayna apoia marcas que querem se pautar pela sustentabilidade por meio da consultoria Re.tecendo. Criou ainda a Nós Mais Eu, alinhada ao slow design. “Tento colocar em prática tudo o que eu estudo”, diz.
Em suas redes sociais, Monayna dá dicas e tira dúvidas tanto de pessoas físicas – como descartar lingerie usada? – quanto de pessoas jurídicas, em materiais como o Guia de fornecedores de moda mais sustentável, feito pela Re.tecendo. Igualmente preciosos são os conceitos que ela explica e as referências que compartilha, caso do Fashion Revolution.
Movimento global, o Fashion Revolution tem um capítulo brasileiro, cujo site é um bom lugar para buscar dados que contextualizam a urgência de “acelerar a transição da moda rumo à justiça social e climática”. Há, por exemplo, o Índice de Transparência da Moda Brasil, que avalia a divulgação de informações das marcas nacionais em meio ambiente, direitos humanos, governança e rastreabilidade.
Interessante também o Atacama Fashion Week, desfile realizado no lixão do deserto do Atacama, no Chile, destino de mais de 59 mil toneladas de roupas descartadas – a maioria feita de poliéster, material que leva até 200 anos para se decompor. A iniciativa é do Fashion Revolution Brasil em parceria com a Desierto Vestido.

Outra fonte importante é o portal Escravo, nem pensar!, programa educacional da Repórter Brasil dedicado à prevenção do trabalho escravo. Lembremos que o setor têxtil é representativo nas denúncias desse tipo de violação dos direitos humanos, em especial quando a gente considera recortes de gênero e nacionalidade.
Para quem trabalha com moda, ao estudar para este texto encontrei:
Este guia prático feito pelo Sebrae em 2024, focado em ajudar empreendedores a aplicar práticas de sustentabilidade e ESG em sua produção. Cheio de dados e exemplos de marcas nacionais e internacionais que atuam nessa linha.
The Sustainable Fashion Communication Playbook, de 2023, esforço da ONU para apoiar comunicadores dessa indústria – equipes de marketing, jornalistas, influenciadores – a construir discursos mais qualificados, sem greenwashing, sem estímulo ao consumo excessivo etc. e tal. (Achei útil a qualquer pessoa da área de sustentabilidade, seja na moda ou não.)
Para fechar este longo prólogo à conversa com Monayna, ainda que eu não seja especialista, tenho dicas a dar. Em São Paulo, as roupas em bom estado – e limpas, óbvio – eu doo para a Casa 1. Se a ideia é levantar algum dinheiro, vendo no brechó Dig For Fashion (unidade Augusta). Já quando a peça não está em tantas condições, deposito na urna do Movimento ReCiclo, da C&A, na loja da rua Augusta (mas é bom checar antes, aconteceu de ir até lá e a urna ter sido temporariamente retirada).
Também faço o possível para prestigiar marcas preocupadas com os valores que estamos discutindo aqui. Uma delas é a Urban Flowers, de sapatos feitos de modo artesanal por mão de obra brasileira, a partir de materiais veganos, reaproveitados ou recuperados. A empresa, sediada em Campo Bom, no Rio Grande do Sul, informa ser 100% abastecida por energia solar e ter certificação Lixo Zero. Atenção ao site para aproveitar as promoções.
E tem a Jade Xavier, de Piracicaba, no interior paulista, da qual sou cliente há anos. Assim como a Urban Flowers, Jade não trabalha com estoque para não gerar desperdício. Você escolhe entre o modelo e a estampa disponíveis, e Jade faz a peça para você. As modelagens são pensadas para evitar resíduo têxtil, assim como as embalagens reaproveitam retalhos de tecido (mais: funcionam como proteção da peça na máquina de lavar). A produção é artesanal, 100% feminina.
Pois dona Jade é tão maravilhosa que dará 15% DE DESCONTO para você que lê Avoada! Converse com ela pelo WhatsApp ao fazer seu pedido.



Chegamos, enfim, à Monayna. Como ela estava em plena correria da São Paulo Fashion Week, na primeira quinzena de abril, a conversa foi por áudios no WhatsApp, editada para melhor leitura.
Quais critérios fazem uma marca de moda ser considerada sustentável?
Para considerar se uma marca é sustentável ou não, a gente tem que fazer uma análise muito 360o. Por quê? Porque na moda a gente tem o desafio de trabalhar com uma cadeia [produtiva] muito longa e complexa. A gente está falando da matéria-prima, do tecido, depois, tem o design, a modelagem, a confecção, a comercialização, as estratégias de divulgação. Então, olhando para a sustentabilidade, temos que dar conta dessa análise bem sistêmica.
Sempre comento que a gente se distanciou muito desse sistema produtivo, né? Principalmente o consumidor final, ele tem uma relação às vezes fantasiosa com a roupa. Parece que a roupa aparece ali na caixinha do e-commerce ou brota no ponto de venda. Só que existe por trás essa grande cadeia, muitas mãos vão manipular essas peças. Por mais que a gente tenha toda a questão tecnológica, ainda temos por trás desse processo fabril um capital humano. São pessoas fazendo roupas para outras pessoas. E a gente se esquece. A gente se desligou disso.
Moda sustentável é coisa de gente rica? Quais são suas dicas para fazermos boas escolhas, mesmo quando não temos grandes orçamentos à disposição?
Como consumidor, esse processo de busca e seleção de marcas alinhadas aos pilares da sustentabilidade é desafiador, porque você vai ter que fazer uma pesquisa mais aprofundada para entender como é a cadeia produtiva daquela marca. Essas informações geralmente estão disponíveis no site institucional da marca, com um complemento nas redes sociais. Gosto de dar como exemplo a VEJA, que se chamava VERT no Brasil. Eles têm no site de uma maneira muito clara os propósitos, o descritivo do que fazem e do que não fazem, os desafios futuros.
Mas uma coisa muito importante é entender que a produção de uma marca autoral que trabalha dentro dos parâmetros do slow fashion não vai poder ser comparada com marcas de fast fashion, que têm uma produção e um volume produtivo muito significativos. Muitas vezes essas peças são desenvolvidas em países asiáticos ou que fornecem mão de obra mais barata. Então, é um comparativo impossível de ser feito. Uma marca de slow fashion terá sempre uma produção mais cara.
E o que quer dizer isso? O slow fashion vem do slow food, com o Carlo Petrini, em 1986. Tem como cerne a questão de estabelecer relações igualitárias, mais horizontais, criar confiança com a sua rede de fornecedores, manter uma escala produtiva pequena ou média, com uma produção local em vez de global etc. Quando a gente traz isso para o universo de uma marca de moda, a gente não tem como competir com um magazine. Essa conta não vai fechar, não tem jeito.
Para a roupa de uma fast fashion ser tão acessível, existem algumas questões. Óbvio, é um volume produtivo muito grande, mas é uma matéria-prima de baixa qualidade, muitas vezes com baixa costurabilidade. Ela não é feita para durar. Existem estudos sobre como a roupa tinha uma vida útil de anos, e agora uma peça de fast fashion ou ultra fast fashion é usada por volta de cinco vezes, o que é muito pouco. Essa roupa será descartada no lixo comum, chegará ao aterro sanitário e ficará lá centenas de anos, já que, como é de baixa qualidade, muitas vezes não dá nem para encaminhar à doação ou a uma ressignificação, como o upcycling.
Resumindo, como consumidor, é olhar esses indicadores no site institucional da marca, ver se existe algum relatório com essas informações. E evitar a compra sem consciência, desnecessária, movida por impulso. Se for comprar de uma fast fashion, entenda qual é a coleção. É muito difícil eu chegar aqui e falar: “É proibido consumir de fast fashion, de ultra fast fashion”, sabendo que moramos num país com extrema desigualdade, onde muitas vezes essa é a única forma de consumo da pessoa. E a moda a todo momento brinca com esses signos de pertencimento e distinção.
Então, sempre falo que não é uma conta simples. Mas o primeiro passo é manter uma visão crítica, inclusive em relação ao que a marca comunica. Porque muitas vezes elas criam um grande storytelling que é um grande greenwashing, uma narrativa que é criada, mas não é algo executado. Para ajudar, vou deixar um checklist do que considerar, porque o consumidor fica muito perdido nesse processo de compra [abaixo, em PDF].
Você acredita que a moda pode ser um vetor de impacto positivo no mundo? Se sim, o que é necessário para que isso aconteça?
A moda tem o potencial de ser vilã e heroína ao mesmo tempo. Ela conecta um número enorme de pessoas e é uma ferramenta de transformação muito grande. Mas também pode estar muito ligada a questões de precarização de mão de obra, ter um viés de opressão em vez de ser uma forma de expressão e libertação. Essa não é a moda que a gente quer.
*Transparência ao leitor: a produção deste conteúdo não foi remunerada por nenhuma das marcas citadas. Não ganhei produtos nem terei porcentagem das vendas feitas com os descontos oferecidos aqui.
como uma libélula deslumbrada
Nada melhor do que uma edição sobre moda para evocar uma figura da cultura brasileira que merece eterna evocação: dona Elke Maravilha.
Eu poderia me dedicar a escrever uma versão da biografia dela. Infância, trabalhos, prisão, amores, morte. Mas não irei nesse rumo por dois motivos. Primeiro, você não precisa de mim para isso. Uma busca na Wikipédia já oferece o panorama geral.
Em segundo lugar, Elke tinha fama de dar nó em jornalistas e biógrafos. Por exemplo, ela passou a vida afirmando ser russa, quando fontes garantem que ela era alemã – como um de seus ex-maridos, o grego Alexandros Evremidis, que nos anos 1970 lançou um livro, Melissa, baseado na vida dela (alô, Correio Braziliense!).
De modo que não me interessa aqui investigar datas e geografias, mas sim um certo “espírito Elke Maravilha de ser”. Recorri, então, a ela: a nossa amada Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Revirei acervos e agora trago de bandeja o que achei de melhor.



A primeira coisa que a gente aprende mergulhando nesse mar de maravilhas é que dona Elke aproveitou a vida. Notícias e mais notícias da sua presença em festas, shows, bailes e carnavais de janeiro a janeiro, do Oiapoque ao Chuí. Muitas vezes a trabalho, verdade seja dita. Mas sempre com aquele sorriso enorme no rosto.
Também são constantes os relatos na imprensa da sua participação em comícios sindicais, campanhas beneficentes e afins. Autodeclarada anarquista, Elke amadrinhou grupos de prostitutas e presidiários. É notória sua postura de aliada da população LGBT+, inclusive no auge da epidemia da AIDS e todo o seu estigma na década de 1980.
Ao mesmo tempo, ela tinha grande apelo popular, em particular com o público infantil. No que entra uma primeira sugestão de leitura: esta entrevista feita em 1979 por um repórter mirim d’O Fluminense. Elke tratava as crianças de igual para igual, talvez por isso elas a adoravam tanto.
Outra faceta era a de cantora. Além de ter sido manequim sensação dos anos 1970, jurada histórica de programas de calouros como os de Chacrinha e Silvio Santos, atriz (elogiada! premiada!) de cinema, teatro e televisão, ela deu pinta em discos seus e dos outros. Um gostinho: aqui ela canta dois clássicos de Luiz Gonzaga.
(Na seara musical, uma curiosidade. Elke teve longa amizade com nosso muso Itamar Assumpção. Ganhou música e tudo.)
Das pautas inusitadas, tem este depoimento em 1987 ao Jornal do Brasil. Convidada a indicar um destino na seção de turismo, Elke escolheu falar de Serra Pelada, “onde as pessoas são como realmente são”. Conforme ela conta, tornou-se habituée porque tinha três irmãos trabalhando no garimpo.
Tem também esta entrevista ao Jornal do Commercio, em 1990, sobre... mercado de arte. Elke lista predileções entre pintores, museus, telas. “Não quero possuir nenhuma. Quero que elas existam”, no desapego material que lhe era característico.
Do ano seguinte, no Jornal do Brasil, esta foto de um trio parada dura: Elke Maravilha, Leonel Brizola e Nelson Mandela na praça da Apoteose, no Rio de Janeiro (lembrando que, em 1991, a África do Sul ainda vivia sob o regime do apartheid).
E tem, acima de tudo, a forma muito particular como ela encarava e levava a vida. Concorde ou não com suas opiniões, Elke dançava uma dança própria. Abaixo, uma curadoria de perfis e entrevistas dos anos 1970 aos 2010 – ela faleceu em 2016, aos 71 anos. Menção honrosa à brilhante legenda desta foto no Diário do Pará, em 1990, que virou título deste texto: “Como uma libélula deslumbrada”.
a última ficha caiu
Registrei em Avoada #10 o falecimento de Cacá Diegues, em 14 de fevereiro deste ano, prometendo voltar a ele. Pois bem.
Não é a primeira vez que seu Cacá aparece por aqui. Em Avoada #7, no texto sobre a pesquisa Cinemateca negra, resgatei uma crítica mordaz a Xica da Silva escrita no jornal Opinião, em 1976, pela historiadora Beatriz Nascimento.
(Quem foi premiada por seu papel em Xica da Silva? Elke Maravilha. Tudo se conecta.)
O caso é que, Xica da Silva à parte, Cacá escreveu e dirigiu um dos meus filmes favoritos: Bye Bye Brasil, de 1980, com as peripécias da Caravana Rolidei pelas estradas de um país em transformação.


Um show da dupla José Wilker e Betty Faria. Cenografia e figurino geniais, assinados por Anísio Medeiros. E o que dizer da trilha sonora? Neste clipe de 2020, Roberto Menescal, diretor musical do filme, conta por que a música feita em parceria com Chico Buarque é do jeito que é. Sem contar uma joia chamada Dominguinhos.
Em 2020, para marcar duas décadas do lançamento, o Canal Brasil reuniu parte da equipe e elenco em um especial que virou podcast. E parece que existe um making of com 10 minutos de duração, Filmando Bye Bye Brasil, mas não encontrei online.
O que tem na Internet, e muito, são análises de todo tipo sobre o longa. Destaco A invenção do progresso: Bye Bye Brasil e o espaço-tempo colonial, de 2022, do doutor em Antropologia Social Eric Macedo. Ele articula a narrativa do filme a dois eventos-chave: a abertura da rodovia Transamazônica e a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Muito interessante & muito bem escrito.
Agora, o trem mais legal, o que mais me causa inveja, é o seguinte. Em 2013, o repórter Glauco Araújo e o cinegrafista Luciano Cury, do G1, partiram numa expedição de 35 dias que reproduziu o percurso feito por Bye Bye Brasil pelo Norte e Nordeste brasileiros. Um blog contou o andar da carruagem, enquanto este especial compartilhou as reportagens produzidas. Jornalismo raiz. Paravigomevoi!
espia
Imensa alegria ao ver que Avoada #10 foi recomendada na newsletter da Brasil de Direitos. A plataforma é mantida pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos, cujo grupo instituidor reúne nomes do quilate de Dom Pedro Casaldáliga. A participação dele no Roda Viva, da TV Cultura, em 1988, é sensacional.
Falando em direitos humanos, em março a jornalista Maria Paula Monteiro investigou na revista AzMina uma articulação de vereadores Brasil afora para barrar o acesso ao aborto legal (permitido no país em caso de risco de morte da gestante, diagnóstico de anencefalia do feto ou gestações decorrentes de violência sexual). Vale ler.
Em tons mais alegres, Lady Gaga – agora em solo brasileiro! – abafou a banca com o clipe de “Abracadabra”, mas me pegou mesmo o vídeo do ensaio. Legal demais! A coreografia é da craque neozelandesa Parris Goebel, responsável pelo Super Bowl da nossa musa Rihanna, em 2023 (aqui tem um pouco desse making of).
Bônus! Dona Sheila Cruz, companheira de shows do Almir Sater, recomendou Renato Teixeira, Pena Branca & Xavantinho ao vivo em Tatuí, de 1992. “Chalana”, “O cio da terra”, coisas lindas. (Sobre o Sater, Instrumental, de 1985, é uma obra-prima.)
nossos respeitos
Em 2018, o jornalista Raul Andreucci decidiu criar uma editora de livros dedicada a futebol. Mas não qualquer futebol.
Àquele com um jeito mais literário, da pesquisa acadêmica e do jornalismo. Da paixão para além de clube, taças ou estrelas. Para quem quer mais cores, profundidade e coração. De quem vibra com as histórias em torno da bola no barbante.
Assim foi a Dolores Editora. Digo “foi”, no passado, porque a casa acaba de fechar as portas. Recomendo demais este texto, em que Raul anuncia a decisão da forma mais sincera. E quis registrar nesta Avoada porque, além de eu ter testemunhado a jornada dessa pequena grande editora, iniciativas como a Dolores, independentes, alternativas, feitas na unha, no muque & no coração, são sempre dignas de aplausos.
Até o fim de junho dá para comprar os títulos finais, com desconto, pelo site da editora. Viva a Dolores!
Nossos respeitos ainda a Nana Caymmi, dona de voz das mais bonitas e personalidade das mais complexas. Ela partiu em 01 de maio, aos 84 anos.
Descanse em paz, dona Nana. Não esqueceremos de você.
“chapter 8: a political kitchen”, de dana barqawi
2024
Baseada na Jordânia, Dana Barqawi é uma arquiteta e artista multidisciplinar cujo trabalho evoca suas pesquisas em um tema principal: colonialismo.
Mais da sua obra tão densa em detalhes e significados você encontra no site oficial da artista. Por aqui você chega ao perfil no Instagram.
put your phone down.
fim.







dedicação e conteúdo 10
Que coisa linda essa edição. Perfeita!